A actual gestão da TAAG – Linhas Aéreas de Angola está a ser sacudida por graves denúncias internas que apontam para nepotismo descarado, violações sistemáticas da Lei Geral do Trabalho e despedimentos considerados ilegais, lançando a companhia de bandeira nacional numa nova crise institucional.
Segundo relatos recolhidos pelo Agita News junto de trabalhadores no activo e ex-funcionários, a administração liderada por Nelson Rodrigues de Oliveira terá transformado a TAAG num espaço de favorecimento familiar e pessoal, ignorando critérios de mérito, transparência e legalidade.
EMPRESA LOTADA, EFICIÊNCIA EM QUEDA
As fontes indicam que o número de colaboradores da TAAG terá triplicado nos últimos anos, apesar das dificuldades financeiras e operacionais da empresa. O crescimento do quadro de pessoal estaria a ocorrer sem concursos públicos claros nem necessidade operacional comprovada, agravando os custos e a instabilidade interna.
FAMÍLIA DENTRO, TRABALHADORES FORA
Uma das denúncias mais sensíveis envolve o Presidente da Comissão Executiva (PCE), Sténio Andrade, acusado de favorecer familiares directos:
• o genro terá sido nomeado Assessor de Compras Nacionais;
• uma filha integra o corpo de tripulação;
• amigos dos filhos do PCE terão entrado na empresa por vias facilitadas.
Para trabalhadores ouvidos, trata-se de nepotismo puro, num sector estratégico que deveria ser gerido com rigor e profissionalismo.
REFORMADOS DE VOLTA, JOVENS NO DESEMPREGO
Outro ponto polémico é a reintegração de técnicos de manutenção já reformados, decisão que, segundo fontes internas, contribuiu para o inchaço do quadro de pessoal, sem ganhos visíveis de eficiência, ao mesmo tempo que jovens qualificados continuam fora do mercado.
DESPEDIMENTOS ILEGAIS E TRIBUNAIS LOTADOS
Enquanto familiares entram, trabalhadores antigos estão a ser empurrados para fora. A administração do Capital Humano, liderada por Neide Teixeira, com envolvimento de Cidalina Sales e do assessor Marcos Sousa, é acusada de conduzir despedimentos arbitrários, sem justa causa e à margem da lei.
Segundo os denunciantes:
• processos disciplinares são frágeis ou fabricados;
• direitos básicos não são respeitados;
• e muitos casos acabam nos tribunais.
Fontes confirmam que a maioria dos trabalhadores despedidos tem vencido as acções judiciais, expondo falhas graves no contencioso laboral da TAAG.
RETALIAÇÃO INTERNA E CLIMA DE MEDO
Há ainda denúncias de retaliação directa contra funcionários que colaboraram com investigações internas anteriores, que levaram ao afastamento de antigos dirigentes. Esses trabalhadores estariam agora a ser alvo de processos disciplinares por alegadas infracções menores, vistas internamente como pretextos para silenciamento.
SILÊNCIO DA ADMINISTRAÇÃO
Até ao momento, a gestão da TAAG mantém-se em silêncio, recusando-se a esclarecer denúncias que colocam em causa:
• a legalidade da gestão,
• a moral interna,
• e a sustentabilidade da companhia.
Especialistas em direito laboral alertam que, se confirmadas, estas práticas configuram violações graves da Lei Geral do Trabalho, além de representarem um sério risco à imagem e ao futuro da transportadora aérea nacional.
