O silêncio calculado do general Higino Carneiro está a gerar desconforto visível nos mais altos círculos do poder, com o Presidente da República e líder do MPLA, João Lourenço, alegadamente incomodado com a postura reservada de uma das figuras mais influentes do partido.
Fontes ligadas aos bastidores políticos revelam que a ausência de qualquer posicionamento público de Higino Carneiro sobre temas sensíveis, como a sucessão presidencial, a coesão interna do MPLA e o rumo político do país — é interpretada como um gesto estratégico, lido por alguns como prudência e por outros como desafio silencioso à liderança actual.
Num momento em que o MPLA vive intensa movimentação interna e pressão crescente à medida que 2027 se aproxima, a opção de Higino Carneiro por não alinhar publicamente nem comentar os dossiês em curso contrasta com a ansiedade política instalada no topo do partido.
Nos corredores do poder, o silêncio do general é visto como mais perturbador do que um discurso frontal. “Quem não fala, observa. E quem observa, prepara-se”, resume um analista político ouvido pelo Agita News.
A alegada irritação de João Lourenço surge num contexto de fissuras cada vez mais evidentes no seio do MPLA, onde diferentes alas disputam influência, controlo do partido e definição do futuro candidato presidencial. O silêncio de Higino Carneiro, longe de apaziguar, tem alimentado especulações e aumentado a tensão interna.
Enquanto isso, militantes e observadores acompanham atentamente cada movimento e cada ausência de palavra, dos pesos pesados do partido. Para uns, trata-se de maturidade política; para outros, de uma estratégia fria que mantém o poder em suspenso.
Uma coisa é certa: o silêncio de Higino Carneiro continua a incomodar o topo do MPLA e a agitar os bastidores do regime, deixando no ar uma questão cada vez mais insistente: até quando o general vai permanecer em silêncio?
