O cenário do ativismo em Angola está a ser palco de uma forte clivagem interna. Alguns activitistas, como Pedro Paka, Yared Bumba e Laurinda Gouveia, vieram a público tecer duras críticas à postura da monopolista Laura Macedo, acusando-a de praticar um “ativismo de ocasião” e de tentar monopolizar causas sociais apenas quando estás atingem picos de visibilidade mediática.
O gatilho para a vaga mais recente de críticas foi a intervenção de Macedo no mediático caso de agressão sexual da menor Belma, de 15 anos, em Luanda.
Para os críticos, a sua presença não reflete um compromisso contínuo, mas sim uma estratégia para obter dividendos políticos e protagonismo pessoal.
Fontes do Agita revelam que Laura Macedo, filha do falecido escritor Jorge Macedo, regressou em Angola entre anos 2014 a 2016, após viver largos na Alemanha, onde detém a nacionalidade.
A sua vida da Alemanha foi marcada por práticas menos boas. “Ela na Alemanha era viciante em drogas pesadas, como cocaína e crack”, disse a nossa fonte que era seu habitual cliente.
A mesma fonte avança que Laura Macedo fugiu da Alemanha depois vigarizar alguns cidadãos angolanos e de outras nacionalidades. “Há um processo-crime contra ela naquele país e fugiu aqui em Angola para não ser detida”, assegurou.
Pedro Paka: “Causas ‘Não Virais’ Não Interessam”
Para Pedro Paka, defensor dos direitos humanos, o ativismo angolano corre o risco de se transformar num espetáculo. Paka alerta que muitos atores sociais permanecem em silêncio perante as injustiças quotidianas, surgindo apenas quando as câmaras estão ligadas.
“Todos os dias, violações de direitos humanos acontecem nas nossas comunidades, mas a maioria fica calada porque sabe que não dará protagonismo, visibilidade ou dinheiro. Para muitos, causas ‘não virais’ não interessam”, afirmou Paka.
O ativista enfatiza que a luta pelos direitos fundamentais deve ser um compromisso diário, independente de holofotes ou da agenda da mídia. Segundo ele, a “coerência e a presença contínua” são os únicos pilares que legitimam a ação social.
Yared Bumba e Laurinda Gouveia: Acusações de Infiltração e “Bofias no Ativismo”
A crítica subiu de tom com as declarações de Yared Bumba e Laurinda Gouveia, que sugerem uma motivação mais obscura por trás das ações de Laura Macedo. Gouveia, uma das vozes mais resilientes do movimento em Angola, foi contundente ao sugerir que existem pessoas “infiltradas” com o objetivo de descredibilizar a luta em troca de benefícios materiais, como casas ou financiamentos.
- Legitimidade em causa: “Não é o cartão de Front Line Defenders que vai te dar legitimidade. Trabalho vago, referências vagas”, disparou Laurinda Gouveia, questionando o histórico de projetos reais de Macedo.
- Infiltração: As ativistas chegaram a classificar tais comportamentos como sendo de “bofias no ativismo”, indivíduos que estariam no meio social para destruir o movimento por dentro.
- Apoio aos “Legítimos”: Em contrapartida, Gouveia fez questão de saudar o trabalho de figuras como Tanaice Neutro e Simão Kativa, classificando-os como exemplos de defensores que não se “vendem”.
O “Monopólio” do Ativismo
A acusação central gira em torno da ideia de que Laura Macedo tenta monopolizar o espaço da sociedade civil, posicionando-se como a voz principal em casos de grande comoção popular — como o de Belma — enquanto ignora a base do movimento e as dificuldades enfrentadas por outros ativistas que atuam no anonimato das províncias e bairros periféricos.
