Os Jogos Africanos da Juventude, recentemente encerrados em Angola, estão a ser alvo de fortes denúncias relacionadas com desorganização, fraca gestão financeira e alegadas práticas de favorecimento envolvendo dirigentes ligados ao sector desportivo nacional.
Desde a cerimónia de abertura, o evento revelou sinais evidentes de fracasso organizativo, com uma assistência quase inexistente nas bancadas do estádio, situação que terá levado a organização a transferir a cerimónia de encerramento para o pavilhão da Cidadela, numa tentativa de ocultar o vazio de público.
Fontes ligadas ao evento denunciam um fraco exercício de marketing e comunicação institucional, bem como resultados desportivos abaixo das expectativas. Para muitos observadores, esta terá sido uma das piores organizações de um evento desportivo internacional realizadas em Angola nos últimos 50 anos.
As denúncias incluem ainda graves falhas logísticas, como a insuficiência de camas para os atletas visitantes, obrigando, em alguns casos, dois ou três jovens desportistas a partilharem a mesma cama. Há igualmente relatos de refeições insuficientes e de baixa qualidade, atrasos constantes nos jogos e adiamentos decididos de forma improvisada, revelando falta de planeamento e coordenação.
Apesar dos milhões de kwanzas disponibilizados pelo Executivo para a realização do evento, os resultados práticos ficaram aquém do esperado. Segundo fontes do sector, alguns dirigentes terão sido os principais beneficiários dos jogos.
Entre os nomes citados está o secretário de Estado dos Desportos, Paulo Madeira, acusado de ter introduzido vários serviços paralelos no âmbito dos jogos, alegadamente com o objetivo de obter ganhos financeiros. No seio do Ministério da Juventude e Desportos, segundo as mesmas fontes, o dirigente é conhecido pela alcunha de “Paulo Micha”.
Outro caso apontado envolve Gustavo da Conceição, ex-presidente do Comité Olímpico Angolano, que, de acordo com denúncias, terá permitido que uma empresa ligada à sua esposa fornecesse a maioria das refeições do evento. A prestação dessa empresa é apontada como deficiente, tendo, segundo críticos, prejudicado a imagem do país e do próprio evento.
Face à gravidade das acusações, várias vozes defendem a necessidade de uma investigação rigorosa por parte do Ministério das Finanças, da Inspecção-Geral da Administração do Estado (IGAE) e do Serviço de Investigação Criminal (SIC), com vista ao apuramento de eventuais irregularidades na gestão dos fundos públicos alocados aos Jogos Africanos da Juventude.
Uma fonte ouvida pela nossa redacção questiona ainda o impacto que estes dirigentes terão tido durante os longos períodos em que estiveram à frente de instituições-chave do desporto nacional, como o Ministério da Juventude e Desportos, o Comité Olímpico Angolano e a Federação Angolana de Basquetebol.
Até ao momento, as entidades visadas não se pronunciaram publicamente sobre as denúncias.
