Após deixar a administração do Kilamba , Hélio Aragão reaparece no espaço público com um novo foco: a promoção do semba, uma das expressões culturais mais emblemáticas de Angola.
Exonerado durante a governação de Manuel Homem, na sequência de um episódio controverso que marcou a sua passagem pela administração pública, Hélio Aragão optou por se afastar do cenário político-administrativo e investir na sua formação pessoal e profissional. O antigo administrador seguiu para Portugal, onde frequentou uma formação em administração e ampliou o seu contacto com iniciativas culturais ligadas à diáspora angolana.
A EXPERIÊNCIA QUE MUDOU O RUMO
Durante a sua estadia em Portugal, Hélio Aragão marcou presença no Show do Mês, iniciativa cultural promovida pelo conhecido produtor Yuri Simão. O momento revelou-se decisivo: ao observar estrangeiros a dançar semba com entusiasmo e respeito pela cultura angolana, Aragão diz ter percebido o potencial turístico e identitário da dança nacional.
Em conversa informal com o humorista Calado Show, revelou a intenção de, ao regressar a Angola, lançar um projecto estruturado de valorização do semba.
NASCE A “ROTA TURÍSTICA DO SEMBA”
A promessa ganhou forma em 2025, com o lançamento do Projecto Rota Turística do Semba, uma iniciativa cultural que percorreu várias províncias do país, promovendo não apenas a dança, mas também a música, a história e os artistas ligados a este género tradicional.
O projecto destacou-se pela capacidade de mobilizar comunidades locais, resgatar práticas culturais e atrair atenção mediática nacional e internacional, reposicionando o semba como produto cultural e turístico.
REPOSICIONAMENTO PÚBLICO
Com esta iniciativa, Hélio Aragão surge agora associado a uma narrativa de reinvenção pessoal e contributo cultural, afastando-se da imagem polémica do passado administrativo e afirmando-se como promotor activo da identidade angolana.
Para observadores culturais, o projecto demonstra como a cultura pode servir de plataforma de reabilitação pública e de impacto social, num país onde o património imaterial continua a carecer de investimento estruturado.
