Quando um Presidente da republica é enganado pelos seus auxiliares, a inaugurar obras inacabadas, sem pernas para andar, feito a um “nado morto” como o caso da propalada Refinaria de Cabinda, com o executivo a propalar Fake News de que até 01 de Dezembro, Angola estaria em condições de produzir mais de 30 mil litros de gasóleos e JET-A1 para aviões de Ana Dias Lourenço.
Seis anos e três meses depois de ter sido entregue por ajuste directo à Gemcorp, a Refinaria de Cabinda continua sem iniciar a operação comercial de venda de gasóleo. A inauguração oficial foi há 5 meses atrás.
A primeira fase da Refinaria de Petróleo de Cabinda inaugurada pelo Presidente João Lourenço a 01 de setembro de 2025, marcando um marco histórico para a indústria petrolífera angolana, continua à espera da saída da primeira gota de gasóleo.
Com capacidade inicial de 30 mil barris/dia, o projecto visa aumentar a produção local de combustíveis, reduzir importações e fortalecer a soberania energética.

“Cinco meses desde que foi inaugurada a refinaria de Cabinda, continua a espera da saída da primeira gota de gasóleo”, confirmou o deputado da UNITA, Lourenço Lumingo.
A refinaria resulta de um investimento que ultrapassa os 473 milhões de dólares, sendo que 335 milhões foram assegurados por financiamento internacional, sendo 38 milhões de dólares disponibilizados pelos parceiros, que representa um sinal de confiança do país, disse a fonte do
A GEMCORP e a Refinaria de Cabinda: Alguém burlou o estado angolano?
A Refinaria de Cabinda tornou -se, ao longo dos últimos anos, um caso emblemático de adiamento crónico de um projecto industrial estratégico. Pensada inicialmente como uma solução rápida para reduzir a dependência de importações de combustíveis no enclave de Cabinda, a refinaria acumulou oito promessas públicas de entrada em funcionamento entre 2021 e 2025 e, apesar de ter sido inaugurada a 1 de Setembro de 2025, continua sem operação comercial efectiva, permanecendo em fase de testes técnicos.
Na cerimónia de inauguração, o Ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás (MIREMPET) Diamantino de Azevedo prometeu que “até ao final do ano (2025) Angola contará com os primeiros derivados comerciais produzidos nesta unidade”, o que mais uma vez não aconteceu, nem existe uma data para quando isto irá acontecer.
Olhando para os contratos do financiamento de 250 milhões USD, como parte do acordo comercial entre a Gemcorp para financiar a Odebrecht, estes chegaram a um entendimento denominado repartição de risco, conceito onde 100 milhões USD (40% da facilidade de crédito) foram retidos pelo financiador numa conta gerida por terceiros.

Para além de lesar o estado angolano, o Empresário e PCE da GEMCORP foi condecorado pelo Presidente da Republica, em troca do Nado Morto “Refinaria de Cabinda” que implatou no país, cujo 90 por centos dos lucros servirão para a empresa GEMCORP e apenas 10 por centros para SONANGOL em representação ao estado angolano, como tem sido noticiado pelo Repórter Angola.
A segunda fase está assegurada com um investimento inicial de 10 milhões de dólares norte-americanos que servirão para os trabalhos de engenharia básica e licenciamento de tecnologia, fases fundamentais para o lançamento da nova etapa de construção.
Para passar a obra para a Gemcorp, o Executivo retirou-a ao consórcio United Shine Limited ligado ao empresário russo-israelita Arcadi Gaydamak, que em 2017 tinha vencido um concurso público internacional para a construção da refinaria, mas acabou por ser afastado em 2019.
Após inicialmente ter apontado a custos de 470 milhões USD, a Gemcorp duplicou os valores devido a algumas adaptações ao projecto, que obrigam também ao alargamento dos prazos. Inicialmente, a primeira fase deveria estar concluída ao I trimestre de 2021, já com uma produção de 30.000 barris/dia, passando depois para I trimestre de 2022.
A entrega da refinaria de Cabinda ao fundo Gemcorp valeu fortes críticas ao Executivo angolano por este ser um fundo de investimento sem qualquer experiência neste tipo de obras e com alguns negócios suspeitos feitos em Angola. Tirar o russo-israelita Arcadi Gaydamak desta obra e entregá-la a um fundo de investimento sedeado em Londres mas com fortes ligações à Rússia também suscitou algumas dúvidas sobre o negócio. A Gemcorp tinha sido dos principais financiadores de Angola nos últimos anos de Eduardo dos Santos no cargo, sendo actualmente os maiores gestores de activos do Banco Nacional de Angola ao mesmo tempo que são dos principais credores do país e do próprio BNA.
No âmbito da Refinaria de Cabinda em que a GEMCORP e a OMATAPALO venceram o concurso e projecto avaliado em cerca de 920 milhões de USD, a GEMCORP detendo 90% das acções como investidor deveria injectar o valor correspondente o que não fez, tendo obrigado a Sonangol a assumir a injecção do capital inicial para o arranque do projecto, que desde então está parado porque a GEMCORP não consegue injectar a parte que lhe cabia, devido as sanções relacionadas com a guerra na Ucrânia de que é alvo e não ter mais acesso aos bancos russos sancionados também (motivo pelo qual também se teve que retirar da parceria com o Grupo Carrinho na REA – Reserva Estratégica Alimentar), onde recorria sempre para a busca de suporte financeiro para os seus investimentos ou empréstimos que depois repassava ao Estado angolano, o que obrigou em Março de 2023 apenas, o PCA da Sonangol, Sebastião Gaspar Martins, a admitir que a petrolífera estatal teve de se chegar à frente e avançar com o pagamento ao construtor norte americano dos primeiros módulos da futura Refinaria de Cabinda, substituindo-se à Gemcorp, a quem caberia fazer esse pagamento (esta informação tinha sido negada pela Sonangol em Março de 2022, quando o Semanário Expansão a tinha avançado em primeira mão), não esclarecendo ainda assim qual o total do valor injectado e se corresponderiam a mais de 10% da sua quota no projecto, dito de outro modo, a Sonangol prepara-se para pagar ao construtor norte-americano como se fosse, na prática, a detentora da refinaria onde estima-se que são necessários 200 milhões de dólares (ao que tudo indica poderão ser assumidos pela Sonangol em vez da GEMCORP) para arrancar com a fase 1 da refinaria, e mais 700 milhões para as fases 2 e 3.
Fonte: Repórter Angola
