A empresária e ex-deputada do MPLA, Tchizé dos Santos, voltou a sacudir o cenário político angolano ao defender publicamente uma saída pacífica do Presidente da República, João Lourenço, no final do seu segundo mandato, em 2027, sem perseguições políticas ou judiciais.
Num áudio amplamente partilhado nas redes sociais, Tchizé foi directa e contundente, apelando a uma transição serena e alertando para os riscos do revanchismo político no país.
“O Presidente da República em 2027 deve sair do poder. E não deve ser perseguido. A perseguição não pode fazer parte da tradição política angolana. Eu peço que este senhor vá em paz”, afirmou.
As declarações surgem num contexto de crescente tensão política, marcado por disputas internas no MPLA, incertezas sobre a sucessão presidencial e um afastamento cada vez mais visível entre sectores ligados ao actual poder e figuras associadas ao consulado de José Eduardo dos Santos.
Conhecida pelo seu tom crítico em relação à governação de João Lourenço, Tchizé dos Santos tem intensificado, nos últimos anos, um discurso de alerta contra o uso da justiça como instrumento de ajuste de contas políticas.
“A justiça não pode ser usada como arma de vingança”, reforçou.
O pronunciamento reacende o debate nacional sobre alternância democrática, reconciliação política e estabilidade institucional, numa fase considerada decisiva para o futuro do país e para o reposicionamento interno do partido no poder.
