O Ministério do Interior está a atravessar um dos momentos mais tensos dos últimos anos. Um grupo de comissários da Polícia Nacional, tanto no activo como na reforma, redigiu uma carta dirigida ao Presidente da República, pedindo a exoneração imediata do ministro Manuel da Conceição Homem, segundo revelou uma fonte do Agita News ligada ao próprio Ministério.
O documento, entregue recentemente ao Palácio Presidencial, expõe um clima de insatisfação e desordem institucional, alimentado por alegadas perseguições internas, favoritismos e decisões administrativas arbitrárias.
“O ministro perdeu o controlo do Ministério. Há medo, revolta e descrença entre os efectivos”, disse um alto oficial sob anonimato.
Revolta entre os efectivos
De acordo com fontes internas, o descontentamento começou a ganhar força nas últimas semanas, especialmente no Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) e no Serviço de Investigação Criminal (SIC), onde vários oficiais afirmam estar a ser vítimas de perseguição política e profissional.
A polémica aumentou com a recente aquisição de helicópteros pelo Ministério, considerada por muitos uma decisão “imoral e inconsequente”, numa altura em que centenas de esquadras pelo país funcionam sem condições mínimas de trabalho, sem viaturas, sem combustível e com edifícios em ruínas.
“Ele prefere helicópteros e selfies nas redes sociais em vez de resolver os problemas reais da polícia”, ironizou um comissário reformado, contactado pelo Agita News.
Clima de ruptura e ausência suspeita
O desagrado intensificou-se após Manuel Homem não comparecer à VI Reunião dos Ministros do Interior e da Administração Interna da CPLP, realizada no Hotel Epic Sana, em Luanda, sendo substituído pelo Secretário de Estado Arnaldo Manuel Carlos.
A ausência do titular da pasta foi vista como sinal de isolamento político e desgaste interno, tanto dentro do Ministério como junto do Executivo.
Regresso de “Panda” em discussão
Nos bastidores do poder, cresce a especulação sobre um possível regresso do antigo Comandante-Geral da Polícia Nacional, Alfredo Eduardo Manuel Mingas “Panda”, figura respeitada dentro da corporação e vista como única capaz de restaurar a disciplina e a autoridade perdidas no Ministério.
“Num país sério, Manuel Homem jamais seria ministro do Interior, nem com o feitiço de Cabinda”, disparou um antigo comandante provincial, indignado com o estado da segurança pública.
Enquanto o país enfrenta aumento da criminalidade, corrupção interna e esquadras em colapso, o Ministério do Interior parece mergulhado em crises de vaidade e poder pessoal, num cenário que ameaça explodir a qualquer momento dentro da própria corporação.
