Os bastidores do poder em Luanda estão em ebulição. A administradora municipal da Ingombota, Milca Caquesse, intensificou de forma visível o seu jogo político com um objectivo claro: assumir o comando do Governo Provincial de Luanda (GPL), numa altura em que a capital vive uma das suas fases mais críticas em termos de governação.
Fontes bem posicionadas nos corredores do MPLA confirmam ao Agita News que Milca Caquesse tem multiplicado encontros, contactos estratégicos e aproximações a figuras-chave do aparelho do Estado, numa ofensiva silenciosa, mas determinada, para se apresentar como alternativa à actual liderança provincial.
A movimentação ocorre num momento delicado, marcado por desgaste político, crescente insatisfação popular e pressão interna sobre o Executivo, face ao agravamento dos problemas crónicos de Luanda: lixo, saneamento inexistente, caos urbano, desemprego e insegurança social.
Aliados políticos descrevem Milca Caquesse como uma “gestora do sistema”, profundamente integrada na máquina administrativa da capital e conhecedora dos dossiês sociais mais sensíveis. Para os seus defensores, essa proximidade ao poder é uma vantagem. Para os críticos, é exactamente o problema.
Sectores internos do partido e vozes da sociedade civil questionam abertamente se a eventual ascensão de Milca Caquesse representaria mudança real ou apenas continuidade disfarçada, num modelo de governação que, apesar de sucessivas promessas, tem falhado em oferecer soluções concretas aos milhões de luandenses.
“O problema de Luanda não é falta de discursos ou de maquetes políticas, é falta de resultados”, resume uma fonte partidária sob anonimato.
Enquanto a Presidência da República mantém silêncio absoluto, o aumento da actividade política de Milca Caquesse revela que a sucessão no GPL está longe de ser pacífica e que Luanda voltou a ser palco de disputas internas intensas, onde ambição, alianças e sobrevivência política caminham lado a lado.
Num xadrez político cada vez mais instável, a pergunta que ecoa nos bastidores é direta:
Milca Caquesse é a solução que Luanda precisa ou apenas mais uma peça do mesmo jogo de poder?
