Ligações a Carolina Cerqueira colocam Francisco Ribas sob forte pressão política
Fonte: Agita News
O comando da Polícia Nacional atravessa um dos momentos mais delicados dos últimos anos. O actual comandante-geral, Francisco Ribas, está no centro de uma crescente pressão política, alimentada por ligações pessoais e afinidades consideradas sensíveis no actual xadrez interno do MPLA.
Segundo informações recolhidas pelo Agita News, a proximidade de Francisco Ribas com a antiga presidente da Assembleia Nacional, Carolina Cerqueira, de quem é afilhado de casamento, tem sido observada com desconfiança nos círculos mais restritos do poder. Fontes referem que os contactos entre ambos são frequentes, incluindo visitas regulares, facto que tem gerado desconforto político.
O caso ganha maior gravidade pelo enquadramento político de Carolina Cerqueira, afastada recentemente da liderança do Parlamento, num contexto marcado por alegadas ligações e alinhamentos com o general Higino Carneiro, figura histórica do MPLA que voltou a ganhar protagonismo como potencial candidato à liderança do partido e, por arrasto, à Presidência da República.
Nos bastidores, cresce a percepção de que esta teia de relações — Francisco Ribas, Carolina Cerqueira e Higino Carneiro — poderá transformar-se num fardo político insustentável para o comandante-geral da Polícia Nacional, sobretudo num momento de fortes disputas internas, reposicionamentos estratégicos e elevada sensibilidade no seio do MPLA.
Uma fonte com influência nos corredores do poder foi taxativa ao afirmar ao Agita News que “Francisco Ribas tem hoje poucas margens para se manter no comando da Polícia Nacional”. A mesma fonte sublinha que pesa igualmente contra o responsável máximo da corporação a actuação considerada frágil da Polícia durante os recentes tumultos em Luanda, na sequência da greve dos taxistas motivada pelo aumento do preço dos combustíveis.
Os distúrbios provocaram mortes, destruição de bens públicos e privados e um forte abalo na percepção da autoridade do Estado, situação que terá agravado o desgaste interno da liderança policial. De acordo com informações apuradas, Francisco Ribas enfrenta também crescente contestação dentro da própria corporação, onde sectores consideráveis questionam a sua capacidade de comando.
O cenário confirma uma realidade cada vez mais evidente: no actual contexto político angolano, o futuro dos cargos de topo não depende apenas da gestão operacional, mas também das alianças, afinidades pessoais e suspeitas de alinhamento interno. E, neste jogo, qualquer proximidade mal interpretada pode custar o cargo.
