A ofensiva política e judicial movida pelo Estado angolano contra Isabel dos Santos e Tchizé dos Santos começa a ser vista, mesmo por sectores antes silenciosos, como um erro estratégico de grandes proporções, com custos políticos, económicos e institucionais elevados para o país.
Independentemente de juízos morais ou partidários, os factos mostram que Angola optou pelo confronto prolongado e altamente mediatizado, em vez de uma abordagem pragmática orientada para resultados concretos, como a recuperação efectiva de activos, a preservação de valor económico e a estabilidade institucional. O saldo prático, até agora, é fraco.
No caso de Isabel dos Santos, empresária com activos globais e capacidade de gerar receitas, o Estado preferiu a via da exposição internacional e do bloqueio total, perdendo margem para negociações inteligentes que poderiam ter garantido retorno financeiro, manutenção de empregos e arrecadação fiscal. O país saiu com processos longos, litígios caros e uma imagem externa fragilizada em matéria de segurança jurídica.
Já Tchizé dos Santos, essencialmente uma figura política e mediática, foi empurrada para o exílio e transformada, involuntariamente, num megafone permanente de crítica ao regime, com impacto nas redes sociais e no debate internacional. Em vez de neutralizar o ruído, o Estado ampliou-o.
A bandeira da “luta contra a corrupção” acabou por perder força ao ser percepcionada como selectiva, atingindo alguns nomes enquanto outros, com responsabilidades equivalentes ou maiores, permanecem intocáveis e integrados no aparelho do poder. Essa percepção corroeu a credibilidade do discurso oficial.
Num país assolado por desemprego, pobreza e fragilidade dos serviços públicos, Angola não podia transformar divergências políticas em guerras pessoais. O custo foi alto: desgaste institucional, divisão interna no MPLA e desvio de foco das reformas estruturais urgentes.
Hoje, com o distanciamento do tempo, torna-se cada vez mais claro que a perseguição às filhas do antigo Presidente não fortaleceu o Estado, não uniu o país e não trouxe os ganhos prometidos. Pelo contrário, expôs fragilidades e alimentou narrativas de vingança política.
• Estados fortes constroem soluções. Estados inseguros criam inimigos.
Angola escolheu o caminho mais ruidoso e menos eficaz.
