Luanda – O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, voltou a marcar posição no debate internacional e interno ao reagir à permanência de Nicolás Maduro no poder, classificando-a como resultado de “práticas reiteradamente anticonstitucionais” e lançando uma pergunta directa ao poder em Angola: qual será agora a posição do Governo angolano e do MPLA?
Na sua reflexão política, Adalberto Costa Júnior recorda que o MPLA e o Executivo liderado por João Lourenço foram, ao longo dos últimos anos, apoiantes declarados de Nicolás Maduro, apoio materializado em parcerias estratégicas, acordos bilaterais e posições públicas de solidariedade política entre Angola e a Venezuela.
Para o líder da oposição, o momento vivido na Venezuela deve servir de alerta sério aos regimes que insistem em enfraquecer o Estado de Direito, capturar instituições e bloquear a alternância democrática. “A história demonstra que o poder sustentado pela força, pela fraude ou pelo medo não é eterno”, sublinha.
Adalberto Costa Júnior defende que a verdadeira estabilidade, soberania e paz duradoura só são possíveis com legitimidade democrática, respeito pela Constituição e submissão do poder à vontade popular, e não através da manipulação dos processos políticos.
A mensagem, segundo o presidente da UNITA, não se limita à Venezuela, mas ecoa para todos os países onde o poder tende a confundir-se com permanência ilimitada. “É esta a lição que líderes responsáveis devem retirar do momento que o mundo observa com atenção e prudência”, conclui.
As declarações reacendem o debate sobre democracia, legitimidade e coerência da política externa angolana, num contexto em que Luanda ainda não se pronunciou de forma clara sobre os mais recentes desenvolvimentos na Venezuela.
