Fonte: Jornalista Jorge Eurico
A Transportes Aéreos de Angola (TAAG) enfrenta uma das mais graves crises de governação da sua história recente, marcada por instabilidade na liderança, dificuldades financeiras e problemas operacionais que têm afetado passageiros e colocado em causa a sustentabilidade da companhia aérea de bandeira.
O elemento mais visível desta crise é a existência simultânea de duas figuras a reivindicar a Presidência do Conselho Executivo (PCE), situação que expõe uma clara indefinição hierárquica e levanta sérias questões sobre a capacidade de tutela do Ministério dos Transportes. Especialistas em governação corporativa consideram a situação institucionalmente anómala e politicamente sensível, sobretudo tratando-se de uma empresa estratégica do Estado.
Fontes ligadas ao sector aeronáutico referem que a ausência de uma cadeia de comando clara tem gerado perda de autoridade interna, dificuldades na tomada de decisões e impacto negativo no funcionamento diário da companhia.
Do ponto de vista financeiro, os dados mais recentes indicam que a TAAG encerrou o exercício de 2024 com um resultado líquido negativo estimado em cerca de 123,7 milhões de euros. A empresa apresenta capitais próprios negativos e enfrenta forte pressão nos custos operacionais, com destaque para combustível, manutenção e despesas com pessoal.
No plano operacional, apesar de a administração da TAAG afirmar que os cancelamentos em rotas domésticas são residuais, há registos públicos de voos cancelados e atrasos frequentes em ligações internacionais, particularmente na rota Luanda–Lisboa. Passageiros têm recorrido às redes sociais e a entidades de defesa do consumidor para denunciar falhas na assistência e alegada ausência de compensações adequadas.
Analistas do sector sublinham que a atual situação compromete a competitividade da companhia, afeta a confiança dos clientes e prejudica a imagem de Angola no mercado internacional da aviação. Para os mesmos especialistas, a instabilidade na liderança é um fator determinante para o agravamento da crise.
A responsabilidade pela definição e supervisão da gestão da TAAG cabe ao Ministério dos Transportes, que até ao momento não prestou esclarecimentos públicos detalhados sobre a duplicidade na liderança nem sobre as medidas concretas para restaurar a estabilidade institucional da companhia.
O Titular do Poder Executivo, enquanto responsável máximo pela governação do país, também não se pronunciou sobre a crise instalada na TAAG. Entretanto, sectores da sociedade civil e especialistas em gestão pública defendem uma intervenção urgente para clarificar a liderança, reforçar a tutela e garantir a continuidade operacional de uma empresa considerada estratégica para a economia nacional.
Até ao momento, a TAAG e o Ministério dos Transportes mantêm-se em silêncio sobre o futuro da liderança e sobre as soluções para ultrapassar a crise.
