400 milhões kwanzas foram desviados, culpados condenados, mas inocentes seguem abandonados.
Fonte: Agita News
O escândalo do desvio de mais de 400 milhões de kwanzas do projecto Fundo Global Ronda 10/11, ligado ao Programa Nacional de Controlo da Malária, continua a revelar uma face cruel da justiça angolana: os culpados foram condenados, mas os inocentes continuam a pagar.
O Agita News apurou que 46 trabalhadores do Ministério da Saúde (MINSA) estão há 10 anos afastados, sem salário, sem reintegração e sem qualquer solução judicial, apesar de nunca terem sido acusados de envolvimento no crime.
CULPADOS CONDENADOS, VÍTIMAS IGNORADAS
O processo levou à condenação de Sónia Carla de Oliveira Neves, sentenciada a oito anos de prisão, e de Nilton Saraiva, condenado a seis anos, ambos ligados à Unidade Técnica de Gestão (UTG). Os valores desviados foram devolvidos ao Estado.
Ainda assim, os 46 trabalhadores, entre motoristas, técnicos e oficiais de saúde, distribuídos pelas 18 províncias, continuam afastados das suas funções.
“Os culpados pagaram, mas somos nós que continuamos condenados”, desabafa um dos afectados.
PROCESSO PARADO E SILÊNCIO INSTITUCIONAL
Os trabalhadores dizem ter intentado uma acção contra o MINSA no Tribunal Civil (processo n.º 336/21-A), mas denunciam que o processo foi sonegado, bloqueando qualquer desfecho.
Do grupo, apenas os médicos foram reintegrados. Os restantes permanecem em casa, no desemprego forçado, sem explicações oficiais.
JUSTIÇA SELETIVA?
A morte da principal condenada encerra o capítulo criminal, mas escancara uma ferida institucional:
Como pode o Estado condenar os culpados, recuperar o dinheiro e manter inocentes punidos por uma década?
O Agita News continuará a acompanhar este caso, porque quando a justiça escolhe quem esquecer, a injustiça torna-se política.
